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Capoeira
neurocientífica
G1 - 23/08/2007
O repórter Reinaldo José Lopes viajou a convite
da Fesbe.
Sidarta Ribeiro continua aprontando das suas. O neurocientista
brasiliense que hoje é um dos líderes do Instituto Internacional de
Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (RN) acaba de apresentar os
mais novos resultados de um estudo de longo prazo sobre o papel do sono
e dos sonhos na consolidação das memórias aqui na XXII Reunião Anual da
Fesbe (Federação de Sociedades de Biologia Experimental), em Águas de
Lindóia.
Tive a honra de escrever uma das primeiras matérias sobre esse trabalho
do neurocientista com nome de Buda na época em que trabalhava na "Folha
de S.Paulo". Os novos resultados confirmam o quadro dessa época: a
formação de memórias é um evento que une momentos complementares do
sono. Durante o sono profundo, sem sonhos, os eventos são reverberados
no cérebro, numa espécie de eco neuronal dos acontecimentos diurnos.
Já no sono REM (sigla inglesa de "movimento rápido dos olhos"), o sono
em que os sonhos normalmente ocorrem, aumenta a expressão (ativação) de
genes ligados à consolidação das memórias. O legal é que as memórias
parecem ser "ciganas", como diz Ribeiro: viajam da estrutura cerebral
conhecida como hipocampo para outra área do cérebro, o córtex.
Foi muito legal ver o cara ao vivo, uma vez que até hoje a gente só
tinha se falado por telefone e e-mail. Neste exato momento, Ribeiro
está agitando uma roda de capoeira na Fesbe. Quem disse que
neurocientista vive só de papo-cabeça? Reinaldo
José Lopes
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